sábado, 4 de outubro de 2003

Surf seguro é praticado longe das redes

(e ao lado das plataformas)

Surfistas gaúchos vêm enfrentando o perigo de morrerem nas redes de pesca há vários anos sem que se encontre uma solução eficaz para o problema. Criaram-se leis determinando que as áreas para pesca e surf fossem demarcadas, mas a falta de fiscalização acabava comprometendo a idéia. Proibiu-se a pesca com redes nos meses da alta temporada, mas era justamente no inverno que as mortes aconteciam.

Finalmente, e infelizmente, apenas quando mais dois jovens morreram, em um mesmo final de semana, a comunidade do Surf resolveu dar um basta para este problema.
Um grupo de surfistas, entre eles dois advogados, um promotor, um ex-campeão de surf e um ex-dirigente, todos ainda praticantes do esporte, juntamente com a Federação Gaúcha de Surf , resolveu buscar uma alternativa para o que vinha sendo feito.

Após sucessivas reuniões onde foram analisadas todas as soluções possíveis, chegou-se a uma conclusão: os únicos lugares onde não há a possibilidade de existirem redes de pesca é nas praias rodeadas de morros, ao lado dos molhes e ao lado das plataformas de pesca.

As primeiras duas situações somente são encontradas em Torres e Cassino, lugares que oficialmente não apresentam nenhum registro de morte em redes de pesca. Na terceira situação, junto as plataformas de pesca, também não se tem notícia de morte em redes, mas existia um pequeno problema: leis municipais proibiam a prática do surf nestes locais.

Então a equipe jurídica da recém formada comissão começou a estudar uma maneira de mudar esta situação para que pudessemos buscar também estes “portos seguros” para a prática de nosso esporte. E encontrou-se uma saída: partindo do princípio de que jovens estavam sendo “empurrados em direção às redes de pesca” no momento em que não lhes era permitido ficarem próximos das plataformas, imaginamos que bastaría que se sugerísse um acordo para os presidentes dos clubes de pesca, que mantém estas plataformas, para tudo ficar resolvido.

Procuramos em primeiro lugar os responsáveis pela Plataforma de Atlântida, que imediatamente aceitaram o acordo, assinando-o no dia 19 de setembro passado.
Em breve, estaremos procurando os responsáveis pela Plataforma de Tramandaí e, logo depois, o pessoal de Cidreira. Como se trata de um acordo que procura dividir o espaço entre surfistas e pescadores e que, muito mais importante, busca preservar a vida de jovens, temos certeza que será muito bem recebido por ambos os clubes.

A solenidade do dia 13 de outubro marca o início desta nova fase na história das relações entre surfistas e pescadores. É um passo em direção a um mundo melhor, onde todos se respeitam e o principal: surfistas deixarão de morrer como peixes.
Veja abaixo como vai funcionar o sistema acordado com a Plataforma de Atlântida (é uma reprodução do texto que está na placa afixada na entrada da Plataforma de Atlântida):


AVISO

Todas as sextas, sábados e domingos, será afixada uma bandeira
em um dos lados da plataforma para sinalizar o lado liberado
exclusivamente para a prática do surf. O lado oposto fica reservado
para a pesca, não sendo permitida a prática do surf.

De acordo com Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta
celebrado em 19/9/2002 entre a Associação dos Usuários da Plataforma Marítima de Atlântida
e a Federação Gaúcha de Surf, com o auxilio do Ministério Público Estadual e da
Secretaria de Justiça e Segurança Pública.

O não cumprimento deste Compromisso importará no pagamento de multa de
01 salário mínimo por dia de descumprimento, sem prejuízo das demais medidas cabíveis.”